sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O colapso do Plano

Sabe quando teu plano enverga, irmão?
Quando sai do prumo... Quando sai do rumo...
Quando a sorte está para brincadeiras...
Sabe?
Quando o plano sai pela tangente e você segue em frente tateando no breu
Quando você sente que a morte já morreu
E que a vida não viveu até se deparar com seu fim
Quando você clama pela razão, pela orientação...
E quer fugir da sensação de implosão por uma confusa verdade
Sabe?
E agora, irmão?
E agora?
Se o passado te trouxe até aqui
E o futuro que você nem imaginou existir te invade os tímpanos, as vistas, os poros...
E agora, irmão?
E agora? E o agora, o que é?
E o necessário onde está?
Olha teu plano onde foi parar?
Irmão, e agora?

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Não sou Roberto Carlos, mas esse cara sou eu


O leve sono dos brutos
O escrúpulo dos sujos
A exatidão do vento – o cata-vento
A pegada da resposta
Sou eu
O âmago da hora
Menina, mulher, senhora
Varão, senhor, moleque
Verdade em xeque
Um moinho de raízes
Recreio dos aprendizes
Coração num pão sovado de razão
Dois pés, duas mãos
20 dedos, 32 dentes
Recriação intermitente
Verdade residente, convincente
Célula consciente
Leal ao que se sente
Displicente, prestando atenção nas cores, nos odores, nos sabores
nos indecentes, nos amorais, nos rivais, nos triviais
nas pedras e nos canais
nos subtotais, nos subterrâneos, nos subterfúgios, nos refúgios
nas luzes
e nos esconderijos

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Poesia nº 1

Pausa
Pausa para a palavra
preciso dizer e rápido
preciso me ouvir
preciso me ouvir a bater
a batidas
abatidas dores à golpes de pão doce
de uvas verdes
de azuis marinhos
abatidas dores à golpes de bem-te-vis

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sobre o que são as coisas e isso me inclui

Vivo no enlace de diferentes matérias
Já disse isso
Nem só alma, nem só idéia
Vivo
Vivo entre escolhas irreversíveis
PERO, irreversíveis só na carne
só na carne, só na carne
A carne putrefa
A idéia borbulha
A idéia cura onde a carne mata
e onde a idéia maltrata
a carne soluça
a carne come
a carne bebe
a carne fuma, cheira
a carne dorme
a carne se destrói e infla a nova idéia
Idéia
parto póstumo de seu status de anti-matéria

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

um meio sorriso,
um leve toque
um quase beijo
um quase nada, quase um cheiro que dá o gosto



e não me diga que nada aconteceu

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Para todas as piranhas com amor




Vai no beco da Chatuba, no Manguinho ou Arará

Patati Patata
      Patati Patata
Patati Patata
        Patati Patata

Cidade Alta, Jacará, Cordovil e a VK

Patati Patata
Patati Patata
Patati Patata
     Patati Patata

Ela me em qualquer lugar

 Patati Patata
Patati Patata
Patati Patata
Patati Patata

Na Mangueira, Árvore Seca, Camari como tá

         Patati Patata
        Patati Patata
Patati Patata
Patati Patata

Em todas favelas
 do rio 
toda hora 
ela quer me dar

   Patati Patata
    Patati Patata
    Patati Patata
     Patati Patata

Ela me dá em qualquer lugar
            Vai no beco, vai no bico, vai na rua
 Ela vai pro baile sem calcinha
                  As piranha da Chatuba gosta de adrenalina

Patati Patata
Patati Patata
Patati Patata
Patati Patata ...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

PORRADA


Num sei,
Só sei que sempre tento:
Não matar
(Não gosto de morte)
Não fazer doer,
Não fazer sofrer,
Não machucar.
Sim, sinto raiva, inveja, ciúme...
mas as guardo, não distribuo coisas ruins.
As vezes grito, GRITO.  É a coisa que me resta
Grito e atenuo por alguns segundos o pesar, O PESAR.
Não quero ser eloquente
Só quero gritar, pra nunca mais me ouvir,
te ouvir, OUVIR, OUVIR...
Malditos ouvidos que não se calam
Já caí varias vezes na mesma armadilha, agora eu a recolhi
é hora de se tecer  qualquer coisa diferente, nem precisa ser nova, apenas diferente
Sabe, minha cabeça me faliu, ao menos nesse calendário, entrou em concordata um pouco depois do coração,
minha imaginação não contava com a realidade.
Tava quase tudo legal na terra da fantasia, mas brincamos demais com a realidade
Brincamos demais com a realidade
Brincamos demais com a realidade
Sabe, nós brincamos com coisas delicadas
e então...  eu me fudi
sim, assim, me fudi
a corda sempre  arrebenta do lado de quem a sustenta.
E hoje, no planeta terra , dentre as 678 mil punhaladas distribuídas diária e ordinariamente, uma foi a minha, bem fundo, bem fundo, bem fundo...
fundo o suficiente para secar a fonte
28 de Agosto de 2012.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A palavra carrega a vida
E aprova da morte é o esquececimento
o esquecimento é a anti prova
anti matéria
antítese
antídoto
antisséptico
detergente
sabão em pó

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sobre a Música e afins


Pinturas pelos muros do pátio interno
portas, janelas, paisagens e retratos bidimensionais
Alguns sons, alguns chamados música, alguns tipo telefone sem fio
alguns tipo teletransporte
tipo identidade
tipo ligação, transmissão, pensamento
tipo contato
tipo lembrança...

...Tudo mentira
elucubrações
fantasias
fantasias sonoras, táteis, olfativas
balas de marschmalow
doces que somem na barriga
de um corpo de coração venoso, de artérias entupidas

Muita contra-mão, muito não, muito então, muito se sim, se não
Excesso de circulação ao redor do mesmo ponto

Agora pronto
agora canto
e canto às vezes velhas melodias
são bonitas as vezes velhas manias
mas cubro, risco e pinto
pelos muros da burquesia
novas portas, janelas, paisagens, retratos, relatos, contratos, teses e até poesias

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Criação Seletiva


Cabeças cunhadas à marteladas
coração hollywood esculpido

amplidão
paisagem
imagem
margem
rumo

categoria vida, pós historia, escrita
pensamento em locução saturado de razão

coração, coração, lotação esgotada

passadas largas nos levam ao vagão
automação
medo, alienação
preguiça
cobiça
cú na mão, indulgencia, redenção
tudo é não
não
não
na condução
da criação: seletiva, optativa, intencional

OBJETO RELACIONAL

mas agora irracional, escondida
vendida pro capital
fudeu, Vitruvius
perdeu, Neanderthal

terça-feira, 22 de maio de 2012

Pro mundo se acabar em calda doce

Te aperto
Te aperto com as pontas dos dedos, e com a ponta dos dedos te aperto com a força dos braços
Te aperto como quem assim tirasse as sementes das uvas
Te aperto contra meu peito e miro teus olhos revirados
Te aperto contra mim,  e bem perto e ajustado aperto você, eu, o mar, o sol, a ladainha, o gato, o sorvete, e a maria mole todos bem apertados e metidos  em calda doce, acomodados bem no fundo do buraco das uvas

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ressaca imoral, revolta sob o tapete
Cacoete
Alienação
Pontilhados infantis esperando por crayons
Desejos vis, desejos vãos
Martelos, pregos, egos, expiações
Cegos
Cantor de falsetes
Tambor de lembretes
Não me respeite
Esse martelo é meu